Serginho Groisman passou por momentos de tensão ao reunir torcidas de futebol rivais em seu programa, então no SBT, em episódio que acabou em briga generalizada e com torcedores parando no hospital. Em outra situação, o apresentador hoje na Globo deixou sua equipe com receio ao levar o "Programa Livre" para a Casa de Detenção, conhecida como Carandiru e demolida em 2002.
Dez anos antes de ser implodida, a penitenciária foi palco de uma invasão policial que deixou 111 mortos em episódio conhecido como "Massacre do Carandiru". "O programa mais bacana que fiz foi na Casa de Detenção de São Paulo, ao vivo", frisou Serginho, cujo nome foi envolvido na tragédia que abalou a vida de Ana Paula Arósio.
"Todo mundo da produção estava muito receoso. Falavam: 'Eles (os detentos) podem te sequestrar a qualquer hora, lá no meio do programa ao vivo, você é louco'", recordou o comunicador à revista "Playboy" em setembro de 1998, menos de um ano antes de assinar contrato com a Globo.
O apresentador revelou ainda ter visitado a penitenciária na véspera da atração, tendo o primeiro contato com os detentos. "Fui um dia antes para ver a montagem de tudo. Sentei com vários deles e fiquei mais tranquilo, vi que não tinham motivo nenhum para fazer isso comigo", ponderou Serginho, que viu seu programa no SBT rodar por vários horários na grade de programação além de ter tido edições especiais no domingo pela manhã e no horário nobre.
"Mesmo entre os detentos, eles tinham esse comportamento de levantar a mão, respeitar o outro, poder conversar, saber que ali era um ambiente onde eles podiam se expressar. Eles falavam coisas incríveis", completou, já em conversa no "Roda Viva" (2000). O "Programa Livre" feito na Casa de Detenção ocorreu no mesmo 1992 do massacre, porém meses antes.
"Fiquei arrasado. Foi terrível. Eles tinham dado lições incríveis. Quando, por exemplo, perguntei sobre drogas, fizeram aquele silêncio. Daí veio um fortão: 'A droga aqui existe e é o único meio de não explodir isso aqui'. Aí todo mundo (bate palmas)", relembrou o ex-aluno de Direito, curso que largou por causa de uma grande paixão. "No dia seguinte um pessoal do (telejornal policial) 'Aqui Agora' disse: 'Sabe aquele cara que falou sobre droga? Mataram ele'. Daí fiquei... (se esparrama na cadeira como se estivesse desmaiando). Pensei: 'Foi por minha causa'. Mas, quando fui confirmar, não era. Tinha sido um outro cara", finalizou Serginho, hoje pai de um menino de 10 anos.